Tudo verdadeiaramente apaixonante!
Há uma perversidade deliciosa e profundamente honesta no que a Neowiz conseguiu fazer com Lies of P — transformar o jogo numa franquia anestesiante, uma trilogia com DLC e merchandising compulsivo, e devolvê-la à sua forma mais pura, mais verdadeira, que é a de um contrato entre o jogo e o jogador em que ninguém mente, ninguém facilita e ninguém pede desculpa pela dificuldade. Num mercado onde os estúdios AAA passam os últimos anos a optimizar a experiência para a mediocridade do utilizador médio, a calibrar a dificuldade para que ninguém se sinta excluído, a suavizar os cantos para que a jornada seja sempre agradável e partilhável nas redes — que espécie de anacronismo jubiloso é este, que te mata repetidamente com elegância, que te faz sentir cada vitória como uma conquista real, que te devolve a sensação primitiva e intransferível de ter ganho algo com o próprio esforço? O prazer de Lies of P é o prazer da resistência e do vício estranho de voltar no outro dia.
