Arc Raiders: PVE e o futuro
ARC Raiders nasceu como um jogo cooperativo, foi desmontado e refeito à imagem do género da moda, o extraction shooter. Esse género é a tradução mais fiel que o entretenimento já produziu da ordem económica em que vivemos: entras com o teu capital, arriscas tudo e alguém mais forte ou mais rápido leva-te o que juntaste. Bastou depois uma semana de escolha para que dezenas de milhões de partidas se jogassem sem um único tiro entre humanos. A indústria passou anos a vender-nos que a tensão, a escassez e a perda são o motor do envolvimento, e que o outro jogador é por definição uma ameaça a abater ou a evitar. Quando lhes deram a alternativa, os jogadores preferiram acenar, partilhar munição e enfrentar juntos as máquinas, e a percentagem dos que assim jogam não parou de crescer desde o lançamento. A cooperação, mal se lhe abre uma porta, entra sem pedir licença. Resta saber o que a Embark fará com a evidência. Promete decidir em nome da “saúde” do jogo, palavra que na língua das plataformas quer dizer retenção, monetização e métricas de sessão. A cooperação só será aceite se pagar dividendos, e a prova de que preferimos não nos matar uns aos outros será arquivada como mais um dado num relatório de mercado. Marathon já confessou que o predador não chega para encher servidores e por vezes nem o óbvio chega para se tomar decisões.
